UM APELO
AO BRASIL.
SOBERANIA DE DADOS TAMBÉM É SOBERANIA SOBRE QUEM SOMOS.
Eu sou Maria C Miranda. Durante anos, ouvi histórias que quase ninguém quis ouvir até o fim. Pessoas que corrigiram o próprio nome e viram o nome antigo voltar. Pessoas que pagaram para exigir o que já era delas. Pessoas que explicaram, de novo e de novo, quem eram para sistemas que não estavam programados para escutar.
Cada uma dessas histórias parecia pequena quando contada sozinha. Juntas, elas dizem outra coisa. E é isso que vamos mostrar em 2027.
Algumas verdades só aparecem quando alguém decide juntar as peças.
A Respeita Meu Nome nasceu como uma ideia de startup. Acreditávamos que seria possível resolver um problema tão evidente com tecnologia, parcerias e um bom modelo de negócio. Mas, quando começamos a conversar com escritórios, empresas e instituições, percebemos que havia sempre alguém interessado em negociar uma parte da solução, enquanto o problema continuava exatamente onde estava. O respeito ao nome de uma pessoa havia se tornado mais uma oportunidade de mercado. E eu comecei a me perguntar por que estávamos tentando vender uma solução para algo que nunca deveria ter sido um problema.
Foi assim que a Respeita Meu Nome mudou de direção. Não porque a ideia tivesse fracassado, mas porque entendemos que ela precisava ser maior. O que era um negócio se tornou uma organização. E o que começou com uma discussão sobre nomes nos levou a uma pergunta muito mais difícil: quem produz, organiza e controla o conhecimento sobre as nossas vidas?
Durante muito tempo, nossas histórias foram contadas por outras pessoas. Viramos objeto de pesquisa, estatística, relatório, notícia. Mas quantas dessas informações voltaram para nós em forma de soluções? Quantas ajudaram a impedir que a mesma violência acontecesse novamente?
Não faltam histórias. Falta conectar o que elas revelam. Falta transformar experiências em conhecimento, e conhecimento em instrumentos que possam ser usados por quem precisa deles.
É isso que estamos construindo.
Em 2027, a Respeita Meu Nome vai apresentar uma nova iniciativa. Pública, gratuita e acessível. Um espaço que nasce das experiências de pessoas trans, mas que também convida universidades, empresas, pesquisadores, profissionais de tecnologia, organizações sociais e instituições públicas a assumir suas responsabilidades.
Não queremos falar por todas as pessoas trans. Queremos que mais pessoas trans tenham condições de produzir conhecimento sobre suas próprias vidas, em vez de continuar sendo apenas estudadas, classificadas e interpretadas por outros.
Seus dados são parte da sua identidade. E o conhecimento produzido a partir deles também precisa servir a você.
Se você é uma pessoa trans, este convite começa por você. Se você lidera uma empresa, trabalha com pessoas, desenvolve tecnologia, pesquisa, ensina, advoga ou participa da construção de políticas públicas, também é para você. Porque os problemas que estamos discutindo não nasceram de uma pessoa só, e tampouco serão resolvidos por uma única organização.
Não precisamos que você chegue com respostas. Precisamos que esteja lá quando começarmos a encontrá-las.
Momentum 2027 começa agora. Entre na lista e faça parte dessa história.


